Domingo, eu vou lá no Morumbi…

Depois de uma semana corrida, com as coisas do DCE, mas, especialmente, com as coisas da faculdade, trabalho de embriologia, provas… vem o fim de semana… Sexta, atividade de candidatura própria, tentando emplacar o Plinião… ta dificil, ta dicifil… mil piadas prontas com a cor verde me passam pela cabeça, mas são ruins, vou evitá-las… até porque, o episódio é pra chorar… depois bar, bar, bar…

Sabado, ressaca, casa a tarde, janta com a família, e ressaca a noite….

E então, o domingo… pra fazer uma das coisas que eu mais gosto… ver futebol. Mais, ver o São Paulo jogar. Mais, muito mais, ir no Morumbi, cheio… (tá, dessa vez tinha 30 mil só, mas é bom já…)

Fazia tempo q eu não via jogo e cada vez q vou no estádio lembro o quanto isso é bom, poético… ainda mais quando meu time ganha de 4×0!!

É isso, libertadores no ano que vem, Tricolor 3º do campeonato, Rogério fazendo golaço de falta, Washington fazendo 3… é, não precisamos ser campeões pra eu ficar feliz com futebol…

Por fim, a melhor das músicas do estádio…

“Domingo
Eu vou lá no morumbi
(Eu vou, eu vou)
Independente vai invadir
Vou levar foguetes e bandeiras
Não vai ser de brincadeira
Ele vai ser campeão
Porque não quero
Cadeira numerada
Eu vou de arquibancada
Pra sentir mais emoção
Porque meu time
Bota pra fude
E nome dele
é vocês quem vão dizer

Ooo oo oo oo oo
São Paulo!”

Porque não importa o time, mas o futebol… é genial, poético… pena, que é jogado nessa sociedade capitalista…

(Só pra não esquecer… feliz porque o Marcelo Teixeira perdeu no Santos, feliz porque o Andrade é o primeiro técnico negro campeão brasileiro, triste porque o Flamengo, de Márcio Braga, foi campeão)

33ª Mostra Internacional de Cinema – II

Bom… como eu disse no ultimo post, assisti mais alguns filmes da mostra, e vou colocar aqui minhas opiniões… aparentemente, não foram como as opiniões do público em geral, mas foda-se… não me improta nem um pouco.

O melhor – Låt den räte koma in (Deixe ela entrar) – Tomas Alfredson, SUE. Excelente, recomento muito.

Muito bons também
- Alle Anderen ( Todos os outros ) – Maren Ade, ALE.
- Kicks ( Chutes ) – Lindy Heyman, ING.
- El Niño Pez ( O menino peixe ) – Lúcia Puenzo, ARG/ESP/FRA.

Outros que valém a pena, mas não gostei tanto (ou eram meio limitados mesmo…)
- Maradona – Emir Kusturica, ESP/FRA.
- Vincere (Vencer) – Marco Bellochio, FRA/ITA
- Ibrahim Laybad – Marwan Hamed, EGY.

E a minha única decepção na mostra…
- Singularidades de uma rapargia loira – Manoel de Oliveira, ESP/FRA/POR.

Infelizmente, faltaram muitos filmes… especialmente, The Imaginarium of Dr. Parnassus, Fish Tank, I Love You Phillip Morris, A 40ª porta, Um lugar ao sol, sem contar os que devem entrar no circuito comercial, como o novo filme do Almodovar, Abraços partidos, eu acho, 500 dias com ela, hotel atlantico, e muitos outros.

No ano que vem tem mais…

33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Estou meio afastado por causa da mostra… o pouco tempo livre, estou reservando pra ver filmes…

Já assisti 3 filmes da mostra (ainda que um tenha sido por “fora” pq não tinha mais ingresso…):

- Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in)
- Ibrahim Labyad (Idem)
-  Maradona (Idem)

Dos 3, sem duvida o filme sueco (Deixa Ela Entrar) é o melhor… é excelente, recomendo muito. Os outros dois são legais… o egípcio é bom, mas peca no ritmo… demora demais em um momento… mas vale a pena. O do Maradona é, como filme, médio, mas o conteúdo é excepcional; se o melhor jogador de futebol do mundo, dentro de campo foi o Pelé, ele é um zagueiro ruim perto do Maradona, quando pensamos na pessoa como um todo, mesmo com todos os problemas do Maradona. Vale muito a pena, mesmo que o filme não seja tão bom (e eu não gosto tanto de documentários).

Na semana que vem, mais filme e comentários… Pretendo ver:

- Todos os Outros
- O Mundo Fantástico do Dr. Parnassus
- Menino Peixe
- Abraços Partidos

O silêncio que precede o esporro…

Tá, não é bem um esporro, mas depois de um tempo ausente, pretendo voltar com força “total”…

Breves pílulas:

- descobri que uma amiga escreve poesia, e muito bem. Logo menos ponho aqui;

- vi muitos filmes, mas “Requiem for a Dream” se destacou… incomodou, mesmo… excepcional.

- abaixo, um poema/música, que eu usei no presente para uma pessoa especial, que não pode estar por perto… a banda em questão, conheci recentemente, e é excepcional, vale a pena… ouçam….

O Tempo

Móveis Coloniais de Acajú

A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim

Parece que até jantei
Com toda a família e sei
Que seu avô gosta de discutir
E sua avó gosta de ouvir
Você dizer que vai fazer

O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim

Espero o dia que vem
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar
Nos meus segundos sem você

Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Eu me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar
Pelo presente de fazer

O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Distante é devagar
Perto passa bem depressa assim

Pra mim, pra mim

Se o tempo se abrir talvez
Entenda a razão de ser
De não querer sentar pra discutir
De fazer birra toda vez
Que peço ao tempo pra me ouvir

A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz
E passar rápido pra mim

Eu que nunca discuti o amor
Não vejo como me render
Ah! Será que o tempo tem tempo pra amar
ou só me quer tão só?

E então, se tudo passa em branco eu vou pesar
A cor da minha angústia
e no olhar
Saber que o tempo vai ter que esperar

O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim

Saudade

Essa semana foi um tanto complicada pra mim… problemas de saúde de uma pessoa muito querida… Mas tudo melhorou muito durante a semana…

Agora, sinto falta de algumas coisas na vida… de quem está longe, e de coisas que estão longe… não tenho conseguido militar… sinto a política distante e pior, vejo poucos meio de colocá-la na minha vida da forma como era antes… mas vamos resolvendo isso lentamente…

Falando em saudade, um poema de um do melhores escritores do mundo…

SAUDADE

Pablo Neruda

Saudade -qué será?… yo no sé… lo he buscado

en unos diccionarios empolvados y antiguos

y en otros libros que no me han dado el significado

de esta dulce palabra de perfiles ambiguos.

Dicen que azules son las montañas como ella,

que en ella se oscurecen los amores lejanos,

y un noble y buen amigo mío (y de las estrellas)

la nombra en un temblor de trenzas y de manos.

Y hoy en Eça de Queiroz sin mirar la adivino,

su secreto se evade, su dulzura me obsede

como una mariposa de cuerpo extraño y fino

siempre lejos -tan lejos!- de mis tranquilas redes.

Saudade… Oiga, vecino, sabe el significado

de esta palabra blanca que como un pez se evade?

No… Y me tiembla en la boca su temblor delicado…

Saudade…

Voltando…

É… depois de muito tempo, volto ao blog… foi um mês, ou mais, sem muito tempo pra mim mesmo… daí, qdo tive tempo, separei ele todo de uma vez, e o desequilíbrio me deixou com menos tempo ainda… ta, não da pra entender tudo, mas quem viveu isso comigo entendeu bem…

De qualquer jeito, de volta com tudo… Terminando tudo do ENEEF, estudando Neuroanato, e ensaiando muito, porque nossa estréia é dia 19/9, em Caieiras… Espetáculo “After Brodway”, com o grupo de circo “Estrupeados” e a Orquestra de Caieiras.

Além disso, assisti muitos filmes nos últimos dias… estou numa fase Almodovar, e dos que vi, o melhor, sem duvidas, é Fale Com Ela. Não sei descrever bem, mas é excelente… não tem momentos de enrolação, é bonito, envolvente… terminei, desesperado por assistir um espetáculo de Ballet… ainda vou fazer isso, não tive tempo/condição…

Além disso, estou numa fase de Rap… ouvi muito pouco rap, e me surpreendi com a visualidade das letras… são fortes, são socos bem dados, ainda que nem sempre exatamente na pessoa que deveria receber… mas não tem erro, acerta um, causa tumulto, e o alvo ideal leva pelo menos um empurrão…

Segue mais um que não é uma poesia tida como poesia, que não vai ter a menor chance na ABL, mas que é bom, mto bom… Da pra ver a cena, acontecendo, na sua frente… e é difícil ver isso e ficar quieto…

12 de Outubro

Racionais MC’s

Aí no caminho passamo por uma favela assim
E trombamo com uns molequinho jogando bola e tal
E começamo a provocar
“Ei moleque, ce é santista, tal.”
“Não, eu sou corintiano.”
Eu falei
“Ei, Marcelinho vai ‘rebentar vocês.”
Os moleque vinho naquela idéia de jogo
Daí eu comecei a pesar do lado dos moleque
“E aí, mano, e aí, tá estudando e tal.”
Aí o moleque falou assim
“Ih, esse aqui hoje xingou a mãe dele.”
Aí eu falei assim
“Porque você xingou sua mãe?”
“Ah, porque…”
Não, nem foi isso, ele falou assim
Eu falei
“Ganhou, vocês ganharam presente?”
Eu perguntei
Num foi não, Neto
“Vocês ganharam presente?”
Aí ele falou
“Ganhei foi um tapa na cara hoje.”
Aí eu falei
“Porque você tomou um tapa na cara?”
“Ah, minha mãe deu um tapa na minha cara, foi isso que eu ganhei, não ganhei presente não.”
Falou assim, ó, bem convicto mesmo
Aí eu falei assim
“Porque você tomou um tapa na cara?”
“Ah, porque eu xinguei ela.”
“Ma’, porque você xingou ela?”
“Ah, lógico, todo mundo ganhou presente e eu não ganhei porque?”
Aí eu fiquei pensando, né mano
Como uma coisa gera a outra
Isso gera um ódio
O moleque com 10 ano, pô
Tomar um tapa na cara
No dia das criança
Eu fico pensando
Quantas morte, quantas tragédia
em família, o governo já não causou
Com a incompetência
Com a falta de humanidade
Quantas pessoas num morrero
De frustração, de desgosto
Longe do pai, longe da mãe
Dentro de cadeia
Por culpa da incompetência desses daí
Entendeu
Que fala na televisão
Fala bonito
Come bem
Forte, gordo
Viaja bastante
Tenta chamar os gringo aqui ‘pa dentro
Enquanto os próprio brasileiro tão aí, ó jogado
No mundão
Do jeito que o mundão vier
Sem nenhum plano tra, traçado
Sem trajetória nenhuma
Vivendo a vida

E o moleque era mó revolta, vai vendo
Moleque revolta
E ele tava friozão
Jogando bola lá, tal
Como se nada tivesse acontecido
Ali marcou pra ele
Talvez ele tenha se transformado numa outra pessoa aquele dia
Vai vendo o barato
Dia das criança.

Isso também é poesia…

Outro dia, por um acaso, ouvi, dentre as minhas muitas músicas, uma que não ouvia há muito tempo… anos mesmo…

Ouvi Negro Drama, dos Racionais MC’s.. e aquilo bateu em mim muito forte… apesar de alguns pesares, o quanto aquela música fla da realidade… Acho que isso tem muita relação com as visitas a favelas que eu tenho feito em algumas aulas… seja porque for, coloco aqui embaixo um trecho, porque é preciso lembrar que isso não é a literatura formal da escola, mas é poesia da mais bonita… e segue a linha da última que eu coloquei aí, que incomoda, que dói pra ler, que pesa no papel, mancha a tela…

Mudando de leve de assunto, vi outro dia um excelente filme… Hooligans (ou CSE Hooligans), com o Elijah Wood (?). Muito bom mesmo… mostra um lado interessante das torcidas violentas… tipo, porque eles não são monstros, são humanos, com motivos, pessoais, sociais… etc… mto bom mesmo… vejam… nota 8, de 10.

Negro Drama (trecho)

Racionais Mc’s

Pesadelo,
Hum,

É um elogio,
Pra quem vive na guerra,
A paz
Nunca existiu,
No clima quente,
A minha gente soa frio,

tinha um Pretinho,
Seu caderno era um Fuzil,
(…)

Uma negra,
E uma criança nos braços,
Solitária na floresta,
De concreto e aço,

Veja,
Olha outra vez,
O rosto na multidão,
A multidão é um monstro,

Sem rosto e Coração,

Hey,
São Paulo,
Terra de arranha-céu,
A garoa rasga a carne,

Famíla Brasileira,
2 contra o mundo,
Mãe solteira,
De um promissor,
Vagabundo,
(…)
O Bastardo,
Mais um filho pardo,
Sem Pai,

Senhor de engenho,
Eu sei,
Bem quem é você

O lado ruim do inverno…

Hoje, estou gripado, num dia frio… e é nessa situação, que esse poema mais me incomoda… se eu, na minha casa, com cobertor, janela, teto, forro do teto, chuveiro eletrico, passo frio… imagina um bicho homem como o citado abaixo… ou um que mora num barraco, de madeira fina e mal vedada… O inverno é a estação onde se lembra a vantagem de ser rico… é a estação onde o trabalhador sofre, com o frio, com a gripe, com as doenças de seus filhos… e não podem descansar, parar, jamais…

Fica então um poema doido, incomodo… não gosto de lê-lo, pois não consigo esquecer a imagem que me vem à mente… mas é necessário espalhar essa imagem pra mais pessoas….

O Bicho

Manoel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Homenagem…

Homenagem singela minha, ao poeta Mario Benedetti, que conheci pouco da obra, mas que tem excelentes poemas… fica abaixo o seu poema que me conquistou e me fez procurar mais de sua obra…

Mario Benedetti, uruguaio, morreu hoje em Montevidéu, aos 88 anos.

“E uns lutam por toda a vida / E esses são imprescindíveis” (B. Brecht, trecho)

TRANSGRESSÕES

Todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões

por exemplo inventar o bom
amor
aprender
nos corpos e em seu corpo

ouvir a noite e não dizer
amém
traçar
cada um o mapa de sua audácia

mesmo que nos esqueçamos
de esquecer
é certo
que a recordação nos esquece

obedecer cegamente deixa
cego
crescemos somente na ousadia

só quando transgrido alguma
ordem
o futuro se torna respirável

todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões

Odeio os indiferentes

Hoje, nao vou colocar nada meu… estava ontem conversando com um amigo, quando ele me falou um pedaço deste texto, que nós tínhamos visto outro dia… o pensamento é genial, então, segue abaixo…

Os Indiferentes (Antonio Gramsci)

“Odeio os indiferentes. Como Frederico Hebbel, acredito que ‘viver é tomar partido’. Não podem existir apenas homens, os estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário.
Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, odeio os indiferentes. A indiferença e o peso morto da História. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte na qual freqüentemente se afogam os entusiasmos mais esplendorosos.
A indiferença atua poderosamente na História. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade, é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos poucos que atuam, quanto a indiferença de muitos.
O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa de homens abdica de sua vontade, deixa de fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só um sublevação
poderá derrubar.
Os fatos amadureceram na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se preocupa. Por isso, odeio os indiferentes.”