Voltando…

É… depois de muito tempo, volto ao blog… foi um mês, ou mais, sem muito tempo pra mim mesmo… daí, qdo tive tempo, separei ele todo de uma vez, e o desequilíbrio me deixou com menos tempo ainda… ta, não da pra entender tudo, mas quem viveu isso comigo entendeu bem…

De qualquer jeito, de volta com tudo… Terminando tudo do ENEEF, estudando Neuroanato, e ensaiando muito, porque nossa estréia é dia 19/9, em Caieiras… Espetáculo “After Brodway”, com o grupo de circo “Estrupeados” e a Orquestra de Caieiras.

Além disso, assisti muitos filmes nos últimos dias… estou numa fase Almodovar, e dos que vi, o melhor, sem duvidas, é Fale Com Ela. Não sei descrever bem, mas é excelente… não tem momentos de enrolação, é bonito, envolvente… terminei, desesperado por assistir um espetáculo de Ballet… ainda vou fazer isso, não tive tempo/condição…

Além disso, estou numa fase de Rap… ouvi muito pouco rap, e me surpreendi com a visualidade das letras… são fortes, são socos bem dados, ainda que nem sempre exatamente na pessoa que deveria receber… mas não tem erro, acerta um, causa tumulto, e o alvo ideal leva pelo menos um empurrão…

Segue mais um que não é uma poesia tida como poesia, que não vai ter a menor chance na ABL, mas que é bom, mto bom… Da pra ver a cena, acontecendo, na sua frente… e é difícil ver isso e ficar quieto…

12 de Outubro

Racionais MC’s

Aí no caminho passamo por uma favela assim
E trombamo com uns molequinho jogando bola e tal
E começamo a provocar
“Ei moleque, ce é santista, tal.”
“Não, eu sou corintiano.”
Eu falei
“Ei, Marcelinho vai ‘rebentar vocês.”
Os moleque vinho naquela idéia de jogo
Daí eu comecei a pesar do lado dos moleque
“E aí, mano, e aí, tá estudando e tal.”
Aí o moleque falou assim
“Ih, esse aqui hoje xingou a mãe dele.”
Aí eu falei assim
“Porque você xingou sua mãe?”
“Ah, porque…”
Não, nem foi isso, ele falou assim
Eu falei
“Ganhou, vocês ganharam presente?”
Eu perguntei
Num foi não, Neto
“Vocês ganharam presente?”
Aí ele falou
“Ganhei foi um tapa na cara hoje.”
Aí eu falei
“Porque você tomou um tapa na cara?”
“Ah, minha mãe deu um tapa na minha cara, foi isso que eu ganhei, não ganhei presente não.”
Falou assim, ó, bem convicto mesmo
Aí eu falei assim
“Porque você tomou um tapa na cara?”
“Ah, porque eu xinguei ela.”
“Ma’, porque você xingou ela?”
“Ah, lógico, todo mundo ganhou presente e eu não ganhei porque?”
Aí eu fiquei pensando, né mano
Como uma coisa gera a outra
Isso gera um ódio
O moleque com 10 ano, pô
Tomar um tapa na cara
No dia das criança
Eu fico pensando
Quantas morte, quantas tragédia
em família, o governo já não causou
Com a incompetência
Com a falta de humanidade
Quantas pessoas num morrero
De frustração, de desgosto
Longe do pai, longe da mãe
Dentro de cadeia
Por culpa da incompetência desses daí
Entendeu
Que fala na televisão
Fala bonito
Come bem
Forte, gordo
Viaja bastante
Tenta chamar os gringo aqui ‘pa dentro
Enquanto os próprio brasileiro tão aí, ó jogado
No mundão
Do jeito que o mundão vier
Sem nenhum plano tra, traçado
Sem trajetória nenhuma
Vivendo a vida

E o moleque era mó revolta, vai vendo
Moleque revolta
E ele tava friozão
Jogando bola lá, tal
Como se nada tivesse acontecido
Ali marcou pra ele
Talvez ele tenha se transformado numa outra pessoa aquele dia
Vai vendo o barato
Dia das criança.

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