Por um céu estrelado…

Hoje, só deixo uma poesia. De um excelente autor – Mauro Iasi – que recita suas poesias melhor do que as escreve. Deixo em homenagem a todos que apontam estrelas, mas em especial a quem esteve semana passada nos “cursões” do Fórum Nacional de Monitores 13 de Maio. Grifos meus…

Sobre o Ofício de Construir Estrelas e os Riscos das Verrugas

Mauro Iasi

Eis minhas mãos:
não tenho porque esconde-las,
ainda que, por teimosia,
tragam verrugas nos dedos
por apontar estrelas.
Este é o nosso ofício:
cavalgar verdades cadentes,
eternos/caducos presentes
que comem a si mesmos
mastigando seus próprios dentes.

Assim são estrelas:
tempo que tece a própria teia
que o atrela, cavalo que cavalga
a própria sela.

Distanciamento
Objeto
Estranhamento
Espera
como pintor ensandecido
que reprova a própria tela.

Este é o nosso ofício,
este é o nosso vício.
Cego enlouquecido,
visão por trevas tomada
insiste em apontar estrelas
mesmo em noites nubladas.

Ainda que seja por nada
insisto em aponta-las
mesmo sem vê-las
com a certeza que mesmo nas trevas
escondem-se estrelas.

Enganam-se os que crêem
que as estrelas nascem prontas.
São antes explosão
brilho e ardência
imprecisas e virulentas
herdeiras do caos
furacão na alma
calma na aparência.

Enganadoras aparências…

Extintas, brilham ainda:
Mortas no universo
resistem na ilusão da retina.

Velhas super novas
pontuam o antes nada
na mentira da visão repentina.

Sim
são infiéis e passageiras.
Mas poupem-me os conselhos,
não excluo os amores
por medo de perdê-los.

Os que amam as estrelas puras
tão precisamente desenhadas
fazem para si mesmos
estrelas finamente acabadas.

Tão perfeitas e irreais
que não brilham por si mesmas
nem se sustentam fora das bandeiras
e do branco firmamento dos papéis.
Assim se constroem estrelas puras
sem os riscos de verrugas.

Cavalgarei estrelas
ainda que passageiras
pois não almejo tê-las
em frio metal
ou descartável plástico.

Simplesmente delas anseio
roubar a luz e o calor
sentir o vento fértil de seu rastro
tocar, indecente,
meu sextante no seu astro
na certeza do movimento
ainda que lento, que corta a noite
desde a aurora dos tempos.

Eis aqui minhas mãos:
não tenho receio de mostra-las,
antes com verrugas que
em bolsos guardadas.

Eis minhas verrugas,
orgulho-me em tê-las,
é parte do meu ofício
de construtor de estrelas.

Gastarei as verrugas
na lixa da prática,
queimarei as verrugas
com o ácido da crítica
e aprenderei com as marcas
que as estrelas se fazem ao fazê-las
por isso são estrelas.

8 comentários

  1. Eureka! O problema estava em mim, e não nele. Obrigada por me apresentá-lo… Ele vai me ser um ponto de força no turbilhão que está começando este ano. E por que os poemas podem nos sustentar em sua leveza? Porque eles mudam à medida que nós mudamos e os lemos novamente. Eles também nos relêem e nos fazem relermos a nós mesmos.

  2. não conhecia essa poesia.. adorei… vou roubar…rs
    por aqui houve uma mudança… ainda não sei dizer qual, mas foi algo importante… e estou bem, talvez até melhor do que eu achava que estava antes…

    é.. o metallica deu suas mancadas nessa história, mas continua sendo o metallica e o show foi muito, muito bom…

    como estão as coisas contigo??

    beijoss

  3. ah,eu gostei tanto,mas a fonte do post é tão ruim para ler : (
    Não sei se é o cinza…ou se eu sou(estou) ceguita.

  4. Oi

    Então, eu estou num processo de arrumar o site ainda… to aumentando a letra pq a letra no tamanho original é bem ruim de ler mesmo…
    Aumentei a desse poema… se continuou muito ruim de ler, me fala, porque ai eu preciso mudar a fonte mesmo…

  5. Apontemos estrelas, e lembremos q também existem estrelas do mar…!!!

  6. Grande Mauro Iasi..
    Sempre bom ler coisas suas companheiro…

    um forte abraço
    Cacinho

  7. Acabei de conhecer este blog e de cara encontro esse poema. Vontadezinha insana de roubá-lo para republicá-lo em meu blog (risos), porém, por ora, o favoritarei aqui mesmo.

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