Silêncio

Hoje, começo uma série sobre a morte, sobre a ausência. Preciso escrever sobre isso e venho procurando inspirações, e vou publicando as composições do todo (por isso as vezes podem parecer não fazer sentido)
Entre eles, alguns meus, que surgiram em momentos desses.

O primeiro, é de um autor que flerta com a morte em toda sua obra, e que eu gosto muito, Manuel Bandeira.

O poema em si não fala nada da morte, mas fala do silêncio – que acompanhou os meus momentos de morte e ausência com um peso “mortalmente agudo e suave.”

O Silêncio

Na sombra cúmplice do quarto
Ao contacto das minhas mãos lentas,
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio

Do silêncio musical, cheio
De sentido místico e grave
Ferindo a alma de um eleio
Mortalmente agudo e suave.

Ah, tão suave e tão agudo!
Parecia que a morte vinha…
Era o silêncio que diz tudo
O que a intuição mal adivinha.

É o silêncio da tua carne.
Da tua carne de âmbar, nua,
Quase a espiritualizar-se
Na aspiração de mais ternura.

Manuel Bandeira in O Ritmo Dissoluto (1924).

Ainda sobre o silêncio, fica Marisa Monte, cantando composição de Paulinho da Viola, sobre o silêncio e o infinito…

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