Uma doce manhã…

Bom enquanto a minha aula rola, to em casa fazendo tarefas… Daí, vim responder uns comentários aqui, e na minha tentativa de voltar a dar dinâmica pra isso aqui, um poema batido, mas excelente, do Ferreira Gullar e outro que eu não sei se tão batido assim… Homenagem ao, na minha opinião, segundo melhor poeta brasileiro (não abro mão do Drummond, ainda que com certo peso na consciência).

O Açucar

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

 

“Dois e Dois são Quatro”

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

– sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

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Mudando, muito…

Bom… nessas ferias, resolvi dar uma mudada no blog… criei algumas paginas, sobre filmes, com imagens, e outros… daí, uso aqui essencialmente para poesias, textos, etc…

Dito isso, vamos ao que eu disse que tinha que estar aqui… Essa semana, fiz um curso sobre Economia Política… e fiz uma coisa diferente, que eu nunca tinha feito, dificil e muito legal… recitei uma poesia, em um “sarau”… a noite, tomando cerveja, tocando violão… o Mauro Iasi não sabia tocar a musica que ele queria, resolveu recitá-la… daí, um companheiro resolveu recitar outra, e foi indo, dai trouxeram livros e etc… depois de tomar coragem (e alguma cerveja…), resolvi recitar uma das primeiras poesias que me fez querer escrever poesias… deu tudo certo… muito bom.

Cantada

Ferreira Gullar

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana